O confinamento de bovinos tem ganhado cada vez mais espaço na pecuária de corte brasileira. Nos últimos anos, esse sistema de produção se tornou uma estratégia essencial para garantir oferta constante de animais terminados, melhorar o acabamento de carcaça e atender à demanda crescente do mercado interno e externo. Segundo dados do Censo DSM-Firmenich e do IBGE, o número de animais confinados no Brasil cresceu de forma consistente entre 2018 e 2023, com aumentos expressivos como os 55,3% registrados entre 2018 e 2019.
Esse avanço está diretamente ligado à intensificação da pecuária e à necessidade de maior eficiência produtiva. O confinamento permite que o pecuarista reduza o tempo de engorda, controle melhor a dieta dos animais e tenha previsibilidade no planejamento de abates. Além disso, ele ajuda a equilibrar a oferta de carne em períodos de seca, quando as pastagens perdem qualidade e o ganho de peso a pasto diminui.
Entre 2021 e 2023, o crescimento do número de animais confinados foi de aproximadamente 3,5% ao ano, chegando a cerca de 7,2 milhões de cabeças em 2023. Esse aumento mostra que o sistema está se consolidando como parte importante da dinâmica de abate no país. A participação do confinamento no total de abates também cresceu, variando entre 18% e 33% dependendo do ano e da região, reforçando sua relevância para a cadeia produtiva.
Apesar do crescimento, o confinamento enfrenta desafios econômicos. Em 2024, análises do Projeto Campo Futuro, da CNA/Senar em parceria com o Cepea/Esalq, mostraram que a margem líquida da atividade ficou negativa em boa parte do primeiro semestre, devido ao custo elevado do boi magro e da alimentação, somado à arroba em patamares mais baixos. Mesmo assim, a projeção para o segundo semestre indicou melhora, impulsionada pela expectativa de recuperação do ciclo pecuário e pela demanda internacional.
O confinamento também tem papel importante no atendimento ao mercado externo. O Brasil é um dos maiores exportadores de carne bovina do mundo, e países como China, Emirados Árabes e Estados Unidos exigem padrões de qualidade cada vez mais rigorosos. O sistema confinado facilita o controle nutricional, sanitário e de acabamento, garantindo carcaças mais uniformes e valorizadas.
Outro ponto relevante é o impacto ambiental. Embora o confinamento concentre animais em áreas menores, ele permite melhor gestão de resíduos, uso eficiente de água e redução da pressão sobre pastagens. Quando bem manejado, pode ser uma ferramenta para diminuir a pegada ambiental da pecuária, alinhando o setor às exigências de sustentabilidade.
Em resumo, o confinamento é uma estratégia que veio para ficar na pecuária brasileira. Ele aumenta a eficiência, melhora a qualidade da carne e ajuda a manter a oferta estável ao longo do ano. Mesmo com desafios econômicos, seu crescimento contínuo mostra que os pecuaristas estão cada vez mais atentos à necessidade de produzir mais, com melhor qualidade e de forma sustentável.




